Artigos e Estudos

19/1/2021 - Resultados do inquérito dirigido aos professores sobre Cibersegurança e Ensino a Distância

cibersegurança e ensino

O Observatório de Cibersegurança, do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), com o apoio da Direção-Geral da Educação, realizou um inquérito por questionário dirigido aos docentes do ensino não superior, em Portugal. Neste inquérito, foram colocadas questões relativas aos aspetos ligados à cibersegurança, vividos pela comunidade docente, durante o período de confinamento que compreendeu o segundo semestre do ano letivo 2019/2020. 

Recorde-se que a pandemia de Covid-19 obrigou a uma rápida adaptação das Escolas ao ensino a distância, em particular a partir do dia 16 de março de 2020, situação que se manteve até ao final do ano letivo de 2019/2020. Esta circunstância acarretou vários desafios de cibersegurança que comprovou a importância ​desta área, no processo de digitalização do ensino e aprendizagem. 

O referido inquérito  foi respondido por mais  de 21 mil docentes e apresenta resultados que permitem compreender as necessidades de Cibersegurança das Escolas, quer para responder a situações como a que vivemos, quer para manter as atividades letivas seguras no futuro. 

Consulte os resultados do inquérito

Como na vida real, a utilização da tecnologia comporta alguns riscos para os quais devemos alertar os nossos filhos.

Disponibilizamos um conjunto de artigos e estudos sobre Cidadania Digital e Educação para os Media.

Relatório “Behind the numbers: ending school violence and bullying” – UNESCO

numbers

A publicação “Behind the numbers: ending school violence and bullying”, da responsabilidade da UNESCO, apresenta uma visão abrangente e atualizada não só  da prevalência, mas também das tendências globais e regionais, relacionadas com a violência na escola. Além disso, examina a natureza e o impacto da violência escolar e do bullying.

O relatório refere que quase um aluno, em cada três, foi intimidado pelos colegas, na escola, no último mês. Este estudo, que envolveu 144 países, é a maior investigação feita, até à data, sobre estas problemáticas.

As constatações e conclusões, apresentadas nesta publicação, reforçam as recomendações dos Relatórios de 2016 e 2018 do Secretário-Geral da ONU, endereçadas à Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), no que se refere à proteção de crianças contra o bullying. Essas recomendações incluem, entre outras: a necessidade de desenvolver políticas para prevenir e responder à violência escolar e ao bullying; formar e apoiar os professores na prevenção da violência escolar e do bullying; promover abordagens que envolvam toda a comunidade, incluindo estudantes, professores, assistentes operacionais, pais e autoridades locais; fornecer informações e apoio às crianças.

Este estudo foi desenvolvido com o objetivo de apoiar todos os países na prevenção e combate à violência escolar e ao Bullying, bem como de reforçar a Campanha Safe to Learn que visa acabar com toda a violência nas escolas, até 2024.

 

ICILS 2018 – International Computer and Information Literacy Study

ICILS

Segundo os resultados do estudo internacional ICILS 2018, os jovens portugueses consideram que, em comparação com os de outros países, estão mais bem preparados para enfrentar, de forma segura, um mundo cada dia mais digital.  

Através deste estudo, que envolveu alunos do 8º ano de escolaridade de 11 países,  pretendia-se saber em que medida as escolas preparam os alunos para lidarem com os desafios do digital. No caso dos jovens portugueses, no que se refere à segurança online, estes surgem em lugar de destaque em três dos quatro parâmetros estudados, destacando-se com valores acima da média global entre países.

Os jovens portugueses afirmam reconhecer a importância de mudar as senhas de acesso regularmente (18% acima da média) e reconhecem que aprenderam na escola acerca da importância de verificarem a origem dos e-mails e da informação que recebem (23%acima da média). Além disso, 91% dos jovens portugueses afirma ter aprendido que é necessário fazer logout em computadores partilhados por colegas (10% acima da média).

Quanto à utilização responsável das redes sociais, a percentagem alcançada pelos alunos portugueses (85%) ficou abaixo da alcançada pelos alunos finlandeses (88%), mas 10% acima do valor médio obtido pelos 11 países que participaram no estudo (75%).

No entanto, e apesar destes resultados, apenas 1% dos alunos que integrou a amostra considera ser capaz de selecionar a informação mais relevante e avaliar a utilidade e fiabilidade da informação. Além disso, os alunos portugueses seguem a tendência obtida pelos jovens dos vários países, revelando, ainda, dificuldades em trabalhar, de forma autónoma, com o computador, havendo necessidade de inverter estes resultados.

O ICILS é um estudo internacional que avalia a literacia digital dos jovens com idades entre os 13 e os 14 anos, a frequentar o 8º ano de escolaridade. Em 2018, o ICILS contou com a participação de 14 países/sistemas educativos, tendo Portugal participado, pela primeira vez nesta edição, com mais de 3000 alunos de 215 escolas de todo o país.

De notar que os resultados do ICILS 2018 foram divulgados no mesmo dia em que também foram conhecidos os resultados  do estudo europeu EU Kids Online 2020: Survey results from 19 countries.  Também aqui Portugal é apresentado como um dos países onde mais crianças e jovens revelam confiança em lidar com riscos: mais de dois terços referem saber reagir “sempre” ou “muitas vezes” a comportamentos de que não gostam na Internet. 

 

Crianças e jovens portugueses entre os mais confiantes no uso da Internet Estudo europeu EU Kids Online

EU kids

No dia em que se assinalou o Dia da Internet Mais Segura 2020, foram divulgados os resultados do estudo europeu EU Kids Online 2020: Survey results from 19 countries.

Entre 2017 e 2019, foram inquiridos 25.101 crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 9 e os 16 anos, sobre as suas experiências digitais que incluíram situações de risco como ciberbullying, conteúdos prejudiciais, mau uso de dados pessoais, uso excessivo da Internet, mensagens de sexting e encontros com pessoas conhecidas na Internet.

De acordo com os resultados, na Europa, a maioria das crianças e jovens usa o smartphone para se ligar à Internet “várias vezes por dia” ou “todos os dias ou quase”, registando-se uma subida substancial no uso de smartphones e no acesso à Internet, em relação ao estudo de 2010. Em alguns países, como Portugal, o tempo que as crianças e os jovens passam online mais do que duplicou, sendo também um dos países onde mais crianças e jovens revelam confiança em lidar com riscos: mais de dois terços referem saber reagir “sempre” ou “muitas vezes” a comportamentos de que não gostam na Internet.  Portugal é também um dos países, onde os inquiridos menos associam situações de risco a danos delas decorrentes.

De acordo com Cristina Ponte, professora da Universidade Nova e coordenadora da equipa portuguesa na rede EU Kids Online, “estes resultados quantitativos nacionais integrados no panorama alargado de 19 países europeus ajudam a conhecer de que modo crianças e jovens portugueses se consideram enquanto utilizadores digitais e qual tem sido a influência da intervenção da família e da escola em matéria de segurança e de aquisição de competências”.  Cristina Ponte acrescenta que  “seria muito bom que estes resultados sobre riscos e oportunidades fossem discutidos, em casa e na escola, com crianças e jovens para ouvir as suas razões por detrás dos números.”

O estudo europeu EU Kids Online 2020: Survey results from 19 countries envolveu os países: Alemanha, Bélgica (Flandres), Croácia, Eslováquia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Itália, Letónia, Lituânia, Malta, Noruega, Polónia, Portugal, República Checa, Roménia, Rússia e Suíça. A participação de Portugal, neste estudo, contou com o apoio da Associação DNS.PT, da Fundação para a Ciência e Tecnologia e da Direção-Geral de Educação.

 

Estudo de avaliação de impacto do projeto SeguraNet

Este estudo da autoria de José Luís Pires Ramos - (Coordenação científica) – CIEP - Centro de Investigação em Educação e Psicologia da Universidade de Évora  e de Rui Gonçalo Espadeiro – Centro de Competência TIC da Universidade de Évora
.

estudo

Resumo:

O projeto Seguranet faz parte integrante do “Internet Segura”, o programa nacional dedicado à segurança na Internet e é da responsabilidade de um consórcio de entidades públicas e privadas portuguesas, entre estas, o Ministério da Educação e Ciência - a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (que coordena), a Direção- Geral de Educação/ERTE, a Fundação para a Computação Científica Nacional - a Microsoft Portugal e outros parceiros da sociedade civil, como associações, empresas e universidades, entre outras. O Programa Internet Segura tem como objetivo combater a existência de conteúdos ilegais na Internet, minimizar os efeitos de conteúdos ilegais e lesivos nos cidadãos, promover a utilização segura da Internet e a consciencialização da sociedade para os riscos associados à utilização da Internet. O consórcio coopera ativamente com organizações internacionais e em particular com a INHOPE (International Association of Internet Hotlines ) e com a rede europeia INSAFE. Recorde-se que o INSAFE é a uma rede europeia de centros de consciencialização que promovem o uso seguro e responsável da Internet e dos dispositivos móveis por jovens. As ações a desenvolver pelo consórcio organizam-se em projetos estruturantes, projetos de intervenção transversal e projetos de intervenção focalizada. O projeto Seguranet enquadra-se na estratégia geral do consórcio que é responsável pelo Programa Internet Segura em Portugal . O projeto Seguranet constitui-se como um projeto focalizado, centra-se em particular nas populações escolares e tem como missão promover o uso seguro e crítico da Internet por parte dos alunos/alunas portugueses e é coordenado pela Direção Geral da Educação – Equipa de Recursos e Tecnologias Educativas. Tendo em vista alcançar os objectivo da sua missão, o projeto Seguranet promove, junto das escolas, dos professores, dos alunos e da comunidade, um conjunto de ações, atividades e iniciativas que contribuem para a aquisição de conhecimentos acerca dos benefícios e dos riscos da Internet e a adoção de comportamentos seguros e atitudes responsáveis por parte das crianças e dos jovens. O estudo de avaliação que se apresenta abrange especificamente os seguintes vectores de ação do projeto Seguranet: 1. Portal Seguranet - que fornece conteúdos e propostas de atividades para cada um dos diferentes grupos-alvo; 2. Os Desafios - que constituem propostas de trabalho educativo em torno da temática do uso seguro da Internet bem como envolvem a criação e produção de conteúdos; 3. Intervenções e atividades - tais como ações de sensibilização destinadas a alunos, professores, pais e comunidade educativa e especificamente as ações promovidas pelos Centros de Competência TIC da DGE-ERTE. 4. Semana da Internet Mais Segura - uma proposta anual de iniciativa europeia desenvolvida e promovida em Portugal pelo Centro de Internet Segura e pelo Projeto Seguranet durante o mês de Fevereiro de cada ano. 5. Escola eSafety Label - uma iniciativa que permite a distinção das escolas com o Selo de Segurança Digital, como aquelas escolas que promovem a segurança online da comunidade educativa e que por isso se envolvem em atividades relacionadas com a segurança de crianças e jovens e promovem elevados padrões de segurança na instituição. 6. Painel de jovens - que é constituído por jovens pertencentes a escolas participantes no projeto Seguranet que se reúnem e participam ativamente nas sua atividades, sendo as suas opiniões e perspetivas consideradas quando do planeamento de novas ações, novos materiais ou atividades. 7. Equipa Seguranet – corresponde à estrutura do Ministério da Educação e Ciência - DGE-ERTE – e que é responsável pela implementação do projeto em Portugal. Cada uma das dimensões assinaladas concorre para os objetivos do projeto Seguranet e, neste sentido, corresponde a diferentes propostas de trabalho educativo, com diferentes atores, recursos, tecnologias, contextos e intervenientes pelo que são de esperar formas de intervenção e ação muito diferenciadas. Tal diversidade de ações implica naturalmente a necessidade de criar e gerar dados e informações também diferenciados, obrigando à definição e consideração de critérios de avaliação do seu impacto, também diferentes. A diversidade de atividades desenvolvidas no âmbito do projeto Seguranet implica o reconhecimento de que os objetivos do projeto podem ser alcançados utilizando uma combinação de diferentes atividades, iniciativas e intervenções junto da comunidade educativa. O envolvimento de diferentes pessoas, equipas, organizações e intervenientes torna-se um traço comum a estas atividades, pelo que se tornou necessário adotar uma metodologia rigorosa e ao mesmo tempo flexível, que permitisse lidar com esta diversidade bem como elaborar um inventário das fontes de informação por atividade, de modo a identificar a proveniência e a natureza da informação e selecionar aquela que se revelou estritamente indispensável, tendo em vista a realização do estudo de avaliação de impacto.